O meu Processo de Quiltar

A  semana passada postei um vídeo no instagram do Fashion Craft Ateliê, mostrando um momento de quilting. As pessoas gostaram muito de me ver com a mão na massa, e algumas perguntas foram feitas. Com isso, resolvi escrever esse post especialmente para contar para vocês como é o processo de quiltar.

Eu sempre falo que quiltar é a mesma coisa que desenhar, só que o desenho é feito no tecido, utilizando a máquina de costura como representante do lápis! Os dois processos, quiltar e desenhar, são tão ligados um ao outro, que antes de sentar na máquina de costura, é necessário treinar os padrões com papel e lápis para dominar os movimentos do desenho.

Eu tenho um caderno de desenho, onde eu treino, desenvolvo padrões, combino padrões, é o meu rascunho, o lugar para eu soltar a imaginação e deixá-la fluir!

Caderno de Desenho

A ideia do quilting é iniciar a linha de desenho em um ponto, e ir desenhando utilizando uma única linha, até o final, preenchendo todos os espaços vazios. No vídeo abaixo eu mostro um pouquinho do meu treino no caderno.

Na máquina de costura, o processo é o mesmo. O quilting é feito nos espaços do trabalho de patchwork, preenchendo e deixando o trabalho ainda mais lindo! Cada espaço é analisado com carinho para que o melhor padrão seja quiltado. Na hora de escolher os padrões de um quilting, eu levo em consideração a textura que ele vai criar e o quanto ele vai ressaltar o patchwork.

É importante lembrar que a máquina de costura para quiltar é uma máquina comum. É feita somente uma adaptação nela. Coloca-se o pé para quilting, e abaixa os dentes da máquina. Isso pode ser feito na máquina de costura doméstica e na industrial. Quando a máquina não tem a opção de abaixar os dentes, é só abafá-los com fita crepe ou um tapetinho especial pra isso.

Se o trabalho de patchwork é muito elaborado, com muitas estampas, eu prefiro um padrão mais simples, pois acho que realça mais as duas partes: o patchwork, e o quilting. Quando o trabalho já tem mais espaço negativo (são os espaços de fundo), é um trabalho feito com mais cores únicas, sem estampas, eu prefiro ousar mais no quilting, pois assim ele realça mais.

Nesse trabalho, quiltei apenas o fundo para ressaltar a xícara.
Aqui, apenas o fundo foi quiltado também para ressaltar a estrela. Trabalhei três padrões diferentes.
Aqui, todo o trabalho foi quiltado para criar uma textura.

Existem duas formas de quilting, o free motion quilting, e o quilting com marcações. O free motion quilting, é o quilting livre. Sem nenhuma marcação no trabalho, o quilting é feito de forma livre, o que manda é a criatividade! O quilting com marcações, já é trabalhado com marcações no trabalho. Ele é todo planejado, medido, riscado, e depois é feito o quilting respeitando todas as marcações e riscos.

Eu, particularmente, me identifico mais com o free motion quilting. Gosto de deixar a imaginação fluir enquanto quilto. Na maioria das vezes, enquanto estou finalizando o topo de patchwork, já imagino um quilting para aquele trabalho. Quando sento na máquina para quiltar, já mudo o que havia previamente pensado, e quilto outro padrão, e no meio do quilting acabo combinando mais padrões ou fazendo algo diferente do que tinha planejado.

Com o quilting, é possível fazer diversos padrões, curvos e retos, combinar os dois, criando novos desenhos. Os quilts com linhas retas também dão um efeito incrível no trabalho! Eu gosto muito das linhas retas, e acho que elas se encaixam naquele ditado: “o menos é mais”!

Linhas retas em círculo.
Linhas retas em círculo.
Linhas retas valorizando a estrela.

Para quem não viu o vídeo que postei lá no instagram, chega mais!